quinta-feira, 28 de novembro de 2013

NOTA DE ESCURECIMENTO: NEGRO NÃO É COR, É CONDIÇÃO.




No mês de novembro, sou convidado a palestrar em diversos eventos e escolas da rede pública e privada. A caminhada no combate ao racismo aliada à minha militância na área do ensino, já dão o conforto necessário para me colocar diante de uma plateia de jovens, sempre ávidos por conhecer melhor sobre racismo e consciência negra.
Não muito raro, a definição dessas duas coisas causam entre as pessoas os mais diferentes tipos de opinião (ainda tem aquele e aquela que repetem quase sistematicamente que "o negro é que é racista" e outros tantos que se afirmam categoricamente contra o fato de a consciência ter uma cor). Então vamos lá: O racismo é uma ideologia etnocêntrica, desenvolvida por um grupo hegemônico que visa destituir a humanidade dos demais grupos étnicos, subjugando os seus saberes e os relegando a uma condição de inferioridade (os comparando aos animais). O negro e o índio (pelo menos no Brasil) não podem ser racistas, exatamente por não desenvolverem parte alguma dessa ideologia, muito embora não falte a condição de qualquer um deles reproduzir o racismo como forma alienada de comportamento, ou racialismo (até mesmo revanchismo). No caso do índio especificamente, mesmo a antropofagia demonstrava, em certos casos,  uma admiração pelos seus oponentes; comia-se a carne dos guerreiros mais bravos. A questão do termo "consciência negra" é mais especificamente ligada a um aspecto linguístico: O termo deriva de uma locução adjetiva da língua inglesa, "Awereness of the black (people)", resultando na adjetivação - Black Awereness. Então, a palavra negro ou negra não diz respeito ao elemento cor e sim a condição humana de indivíduos (negros e negras) que devido ao extenso período submetidos a uma ideologia racista, perderam a consciência da sua própria condição humana ancestral, especialmente no que tange ao conhecimento de sua história, religiosidade, culinária, vestuário e linguística; tornando o opressor o único modelo humano aceitável. Vivem em um estado de contemplação que os subjuga e alienados (colonizados)  por uma mentalidade hegemônica que dita regras de comportamento. que muitas vezes, tornam-se hábitos contrários até mesmo a sua biologia. A exemplo disso está o fato de estarmos em uma faixa equatorial consumido uma dieta que foi assimilada com a expansão marítima. Fumo, açúcar, sal, álcool e gordura são as substâncias que mais matam no mundo inteiro, mas tem uma utilidade vantajosa aos grupos que residem em lugares frios, especialmente ao norte. Por outro lado, para os grupos humanos que estão na parte mais quente do planeta elas têm um efeito devastador, como resultado temos um alto índice de problemas cardíacos, anemias e diabetes entre a comunidade de negros e negras. É como ainda não estivéssemos adaptados ao novo mundo e sua dieta calórica, mesmo assim continuamos colonizados pela boca. Em um outro momento, nos vemos privados de cultuar religiosa e socialmente os saberes e valores de nosso ancestrais, enquanto isso somos levados a uma adoração sistemática aos "heróis e santos" de religiões que nos massacraram em nome de um "deus" extremamente impiedoso.


Denilson José Oluwafemi
Coordenador do MAGUMA - CENTRO DE IDIOMAS MÁRIO GUSMÃO

domingo, 31 de julho de 2011

DOIS MUNDOS


Na história da humanidade os homens aprenderam a se destinguir pelos modus operandi, vivendi e pensandi a cor da pele é uma distição recente, fruto exploração territórial do novo mundo tendo como recurso a negação da humanidade dos vencidos e o afastamento dos princípios da moioria das matrizes religiosas vigentes nesse período.
No Brasil não foi diferente de outros sítios da diáspora africana, a arcabouço racial nos prendeu a todos. O treze de maio foi uma oportunidade única e legal de se contruir uma nação brasileira, mas o Estado brasileiro preferiu se encaminhar pela tortuosa estrada da eugenia positiva acreditando na acertiva científica, de que os negros, então assim chamados os escravizados e depois de libertos alcunhados de homens de cor, estariam fadados a extinção em 300 anos. Para acelerar esse processo, ingredientes como a pobreza e a falta de acesso aos meios de produção e consumo foram acrescentados aos calculos matemáticos de Nina Rodrigues. Somados ainda a importação de europeus de toda espécie e o financiamento total do Estado à infraestrutura das colonias e possível enriquecimento desses novos compatriotas gerados no pós guerra e que chagavam no Brasil "sem ter onde cair vivo". Um bom exemplo é o da nossa presidenta, filha de um empresário falido que chega ao Brasil e faz fortuna, e mesmo com uma história brilhante de prisões e perseguição política consegue estudar em boas escolas, obter cargos públicos e ocupar um cargo tão importante em apenas um geração. Eu nem me lembro a quantas gerações meus antepassados estão aqui e eu não conseguirei ver a minha geração presidente. Um abraço!!!!