NOTA DE ESCURECIMENTO: NEGRO NÃO É COR, É CONDIÇÃO.
No
mês de novembro, sou convidado a palestrar em diversos eventos e
escolas da rede pública e privada. A caminhada no combate ao racismo
aliada à minha militância na área do ensino, já dão o conforto
necessário para me colocar diante de uma plateia de jovens, sempre
ávidos por conhecer melhor sobre racismo e consciência negra.
Não muito raro, a definição dessas duas coisas causam entre as pessoas
os mais diferentes tipos de opinião (ainda tem aquele e aquela que
repetem quase sistematicamente que "o negro é que é racista" e outros
tantos que se afirmam categoricamente contra o fato de a consciência ter
uma cor). Então vamos lá: O racismo é uma ideologia etnocêntrica,
desenvolvida por um grupo hegemônico que visa destituir a humanidade dos
demais grupos étnicos, subjugando os seus saberes e os relegando a uma
condição de inferioridade (os comparando aos animais). O negro e o índio
(pelo menos no Brasil) não podem ser racistas, exatamente por não
desenvolverem parte alguma dessa ideologia, muito embora não falte a
condição de qualquer um deles reproduzir o racismo como forma alienada
de comportamento, ou racialismo (até mesmo revanchismo). No caso do
índio especificamente, mesmo a antropofagia demonstrava, em certos
casos, uma admiração pelos seus oponentes; comia-se a carne dos
guerreiros mais bravos. A questão do termo "consciência negra" é mais
especificamente ligada a um aspecto linguístico: O termo deriva de uma
locução adjetiva da língua inglesa, "Awereness of the black (people)",
resultando na adjetivação - Black Awereness. Então, a palavra negro ou
negra não diz respeito ao elemento cor e sim a condição humana de
indivíduos (negros e negras) que devido ao extenso período submetidos a
uma ideologia racista, perderam a consciência da sua própria condição
humana ancestral, especialmente no que tange ao conhecimento de sua
história, religiosidade, culinária, vestuário e linguística; tornando o
opressor o único modelo humano aceitável. Vivem em um estado de
contemplação que os subjuga e alienados (colonizados) por uma
mentalidade hegemônica que dita regras de comportamento. que muitas
vezes, tornam-se hábitos contrários até mesmo a sua biologia. A exemplo
disso está o fato de estarmos em uma faixa equatorial consumido uma
dieta que foi assimilada com a expansão marítima. Fumo, açúcar, sal,
álcool e gordura são as substâncias que mais matam no mundo inteiro, mas
tem uma utilidade vantajosa aos grupos que residem em lugares frios,
especialmente ao norte. Por outro lado, para os grupos humanos que estão
na parte mais quente do planeta elas têm um efeito devastador, como
resultado temos um alto índice de problemas cardíacos, anemias e
diabetes entre a comunidade de negros e negras. É como ainda não
estivéssemos adaptados ao novo mundo e sua dieta calórica, mesmo assim
continuamos colonizados pela boca. Em um outro momento, nos vemos
privados de cultuar religiosa e socialmente os saberes e valores de
nosso ancestrais, enquanto isso somos levados a uma adoração sistemática
aos "heróis e santos" de religiões que nos massacraram em nome de um
"deus" extremamente impiedoso.